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Causas da Desistência de Cursos Universitários

  • 27 de novembro de 2016
  • Publicado por luci

A cada ano mais jovens que se dedicam para vestibulares com objetivos de grandes carreiras, não chegam ao final do primeiro ano.

Desistência dos cursos têm diversas causas e a principal é relacionada às escolhas.

PERCENTUAL DE NÃO CONCLUINTES DOS CURSOS SUPERIORES

Dos jovens que ingressam nas universidades, menos de 40% concluem o curso após 4 anos.

Segundo o MEC, pelo menos 49% desistem antes do final do primeiro ano de curso, seja para mudança de curso ou desistência definitiva.

Em todo o Brasil tivemos redução de 5,9% de estudantes que concluíram o ensino superior no País, isso considerando aumento de matrículas.

Abandono de Cursos antes da conclusão em Universitários no País

Instituições Públicas = 40%

Instituições Privadas = 30%

PRINCIPAIS CAUSAS DA EVASÃO DAS UNIVERSIDADES sala-vazia

PROBLEMAS FINANCEIROS – problemas de natureza sócio econômica e um dos fatores determinantes da evasão escolar.

Nesse ponto, muitos estudantes com necessidade de trabalho durante o período de estudos, encontram dificuldades na compatibilização de horário de trabalho e estudos. Assim, alunos dos cursos diurnos, principalmente das IES privadas são mais propensos à desistência. “A necessidade de trabalhar é mais forte que a vontade de concluir o curso”.

REPETÊNCIA – reprovação em uma ou mais disciplinas consideradas “difíceis”.

DESPRESTÍGIO DA PROFISSÃO – relaciona-se o mercado de trabalho ao prestígio da profissão no momento da inscrição no vestibular. O que é realmente contornado quando existe a capacitação de habilidades para a profissão e transformação do prestígio e de novas oportunidades criadas pelo próprio profissional.

PROFISSÕES ALTAMENTE VALORIZADAS – profissões que geram expectativas de empregos garantidos, Inteligência elevada, dificuldade nos estudos e riqueza.

– Direito

– Engenharia

– Medicina

Outros cursos são marcados pela falta de prestígio social, levando à redução de demanda nos vestibulares, com atividades socialmente pouco reconhecidas, vinculadas a salários menores e a falta de garantia de emprego.

– Licenciaturas

– Bacharelado

DESMOTIVAÇÃO

O aluno ao ingressar na universidade é motivado pela expectativa de melhores condições de vida e realização profissional. Porém, a desistência se dá pelo desejo de obtenção de um curso superior com maior facilidade para conclusão, o que o leva a seleção de cursos menos concorridos.

ORIENTAÇÃO VOCACIONAL/PROFISSIONAL

Desistência ou mudança de curso por falta de informação sobre a profissão e o curso. Expectativas infundadas a respeito da profissão escolhida, decepção com o curso. Grave consequência gerada pela ocupação indevida de vagas nas universidades públicas, pelo desperdício financeiro que acarretam e pela não ocupação por estudantes de perfil adequado para a carreira.

A escolha de profissões ao acaso, sem saber de estudos e as informações imprescindíveis ao bom desempenho acadêmico.

A imaturidade, falta de conhecimento das próprias características de comportamento, habilidades e aptidões levam ao baixo desempenho no desenvolvimento do curso escolhido.

Muitos ingressam em universidades sonhando em ficar ricos e exercerem uma profissão liberal.

Isso pode se dar como fato e objetivo certo quando o aluno pode usar as inteligências que domina plenamente, provocando tranquilidade no desenvolver da carreira, criatividade nata e capacidade para o assunto.

Ceder à vontade dos pais ou de parentes próximos é outro fator que provoca a desistência, já que esses jovens procuram a realização dos sonhos alheios, e em muitos casos, nunca se dando o direito de sonhar por si mesmos. Nessa linha incluímos empresários que desejam deixar cargos ou fazer transição da administração dos negócios, médicos ou profissionais da saúde que desejam deixar a clientela conquistada ao longo de anos para filhos ou familiares.

A importância da orientação vocacional no ensino médio é extremamente grande, já que a taxa de desistência de cursos em nível universitário, segundo o IES, ultrapassa 50% dos matriculados no processo seletivo.

 

CAUSA DA DESISTÊNCIA DE CURSOS UNIVERSITÁRIOS NA VISÃO DOS ALUNOSquando-universitarios-desistem-curso-noticias

Entrevista feita por Gaioso (2005) a mais de 35 alunos, onde definiu as causas em nove grupos como segue:

FALTA DE ORIENTAÇÃO VOCACIONAL E IMATURIDADE – mudança ou abandono de curso.

“Fiz três testes com o mesmo profissional, dois indicaram a área de humanas e um de exatas. Procurei outro que me atendeu em duas sessões: na primeira, eu deveria seguir a área de exatas e na seguinte, a de humanas. Engenharia estava na moda, optei pelo curso e não gostei”.

“Nem sabia em que consistia o trabalho do engenheiro, ouvia sempre que era um trabalho rentável e uma profissão que orgulhava os pais. Daquelas coisas: toda família quer um filho engenheiro, um médico e um advogado. Na minha já havia os dois últimos; logo, tentei preencher a vaga que restava”.

REPROVAÇÕES SUCESSIVAS – desistência por causa de disciplinas consideradas difíceis, dificuldades de aprendizagem, hábitos que não contribuem ao estudo.

“Passei para Engenharia, mas parecia um espectador das aulas, não entendia nada, estudava muito e me saía mal, não conseguia compreender a estruturação de solução dos problemas. Reprovei duas vezes em Cálculo I e outra em Cálculo II. Descobri que não tinha base para o curso. Voltei para o cursinho; passei para Agronomia. Agora estou integrado”.

PROBLEMAS FINANCEIROS – luta pelo sustento da família e custeio dos estudos, falta de tempo para se dedicar aos estudos e salários insuficientes para cobrir os custos.

“Meu sonho é me tornar advogado, mas não dá, tenho que trabalhar para garantir a sobrevivência da minha família”.

FALTA DE PERSPECTIVA DE TRABALHO – com a procura de melhores condições de trabalho e salariais, provoca busca de cursos que garantam isso, porém nem sempre condiz com perfil de habilidades do aluno.

“Desde pequeno dizia que queria ser Engenheiro, sempre estudei pensando nisso. Quando entrei na universidade, as discussões sobre as condições de trabalho me causaram grande desilusão. Comecei a verificar as possibilidades de trabalho para um recém formado e desisti do curso. Fiz outro vestibular, na mesma IES, fiz Hotelaria”.

AUSÊNCIA DE LAÇOS AFETIVOS NA UNIVERSIDADE – falta de grupos de relacionamento para dividir ansiedades, estudos, troca de ideias ou mesmo encontro fora de aula.

“Durante o ensino médio a gente saía junto, uns defendiam os outros; na universidade era cada um por si. Eu me sentia perdido, sem chão, faltava vínculo afetivo”.

BUSCA DE HERANÇA PROFISSIONAL – jovens filhos de profissionais bem sucedidos optam pela profissão dos pais, por admiração, expectativa de menos luta na conquista de clientes.

“Ainda muito pequeno, vestia-me de branco e dizia que iria para o hospital. Todos me aplaudiam, eu me sentia amado. Cresci assim, seguir os passos de meus pais, médicos no interior, era uma questão fechada: eu teria que seguir o mesmo caminho. Minha mãe sempre dizia que depois que eu me formasse, trabalhariam menos ou, talvez, deixassem o hospital para mim e iriam descansar. Aos dezesseis anos, passei no vestibular numa federal, me decepcionei muito. Não suportava as aulas, no final do segundo semestre, tranquei a matrícula, passei para Engenharia Florestal, na mesma universidade”.

FALTA DE UM REFERENCIAL NA FAMÍLIA – filhos de pessoas que ganham muito dinheiro sem terem curso superior costumam abandonar os estudos com maior facilidade.

“Meu pai é médico, empregado em uma prefeitura, próxima aqui da capital, ganha pouco e trabalha muito. Minha mãe não fez faculdade, é uma artista. Na época do vestibular, foi a maior pressão para eu fazer Medicina, tentei quatro vezes e passei numa particular. Estudei durante quatro semestres, quase forçada, nunca gostei do curso. Um dia decidi deixar tudo e trabalhar com minha mãe. Temos uma casa de festas, nos encarregamos de realizar o sonho das pessoas. Somos felizes”.

ENTRAR NA FACULDADE POR IMPOSIÇÃO – imposição dos pais ou responsáveis para ingresso cedo na universidade diante da escolha de qualquer curdo, sem a menor aptidão para tal, apenas visando obter mais liberdade.

“Não tinha maturidade para escolher a profissão, minha mãe falava o tempo todo que eu tinha que passar no vestibular. Era muita pressão, eu queria ficar livre, o importante era passar para qualquer coisa, como tive apoio para cursar Direito, fiz por fazer. Estudei apenas um semestre, no ano seguinte fui aprovado para Turismo na mesma faculdade”.

CASAMENTOS NÃO PLANEJADOS/ NASCIMENTO DE FILHOS – jovens mulheres em condições financeiras menos favoráveis, costumam abandonar os estudos como consequência de uma gravidez indesejada e/ou casamentos não planejados.

“Fiz tudo para continuar estudando com filhos pequenos. Moro longe da minha família, nunca conseguia uma pessoa de confiança para cuidar deles, enquanto eu ia para a faculdade; meu marido trabalha e não pode me ajudar. Tranquei a matrícula há dois anos. Se as coisas não mudarem, vou acabar perdendo o direito de continuar”.

 

PROGRAMAS PARA REDUÇÃO DA EVASÃO DAS UNIVERSIDADES

– Soluções interdisciplinares para que o curso se torne mais atraente e para que a individualidade do aluno seja respeitada.

– Maior integração do estudante com a instituição, fazendo com que ele se sinta parte do processo e fique mais comprometido com o curso.

– Auxílio ao estudante na organização dos estudos e ao não abando do curso.

– Concessão de descontos e programas de financiamentos próprios com juros mais baixos que os de mercado àqueles que não conseguem financiamento do governo.

– Concessão de bolsas de estudo conforme a situação financeira do aluno e dedicação.

– Programas que visam a integração proativa do aluno na universidade, com ações que promovem a integração pessoal, social e acadêmica do estudante, destacando-se:

– criação de gráfica/editora para capacitação profissional dos que necessitam trabalhar e não conseguem emprego;

– serviço de apoio e orientação psicológica aos que convivem com situações trágicas ou problemas pessoais mais graves;

– concessão de descontos aos provenientes de escola pública, que obtém boa classificação no vestibular;

– integração com a comunidade nos arredores da instituição, na busca de boa relação com a universidade, com vistas à redução da violência intra e extra universitária.

– Grade aberta a fim de que as matrículas se efetivem conforme as possibilidades financeiras e disponibilidade de tempo.

– Alteração periódica da grade curricular, ao deixar disciplinas mais difíceis para o final, quando o aluno se encontra mais integrado.

 

CONSIDERAÇÕES

A maioria das turmas das Universidades são repletas no primeiro semestre e a partir do segundo ficam cada vez mais vazias.

Campanhas publicitárias, redução de mensalidades, aumento do número de alunos por turma inicial, reduzindo ou juntando as turmas no decorrer do curso, menores exigências nas provas de seleção (muitas universidades consideram Nota igual ou superior a 300 no Enem, aptos a matricula sem necessidade de prestarem vestibular), criação de escolas próximas às residências dos alunos, muitos investimentos na qualidade de ensino.

Na visão de ex-alunos e dirigentes de universidades, a falta de orientação vocacional e imaturidade, falta de apoio, deficiência na formação básica, horário de trabalho incompatível com os estudos, busca de herança profissional, entre outros acabam culminando no abandono do curso pelo aluno.

Com índices médios de 40% de abandono de cursos universitários, muito deve ser feito para jovens do ensino médio.

Por Luis Maurício Valente Tigrino